Georg Brandes
Georg Morris Cohen Brandes (1842–1927) foi um dos mais influentes críticos literários e intelectuais europeus do final do século XIX e início do século XX. Nascido em Copenhague, Dinamarca, Brandes tornou-se uma das figuras centrais do movimento conhecido como O Movimento Moderno (Det Moderne Gennembrud), que buscava renovar a literatura e o pensamento escandinavos por meio de uma abordagem mais realista, crítica e voltada para os problemas sociais, políticos e morais de seu tempo.
Educado na Universidade de Copenhague, Brandes destacou-se desde cedo por seu domínio das línguas clássicas e modernas e por sua leitura atenta dos grandes pensadores europeus, de Goethe e Heine a Nietzsche — este último, aliás, profundamente influenciado por Brandes, que foi um dos primeiros a reconhecer e divulgar sua importância filosófica.
Em suas famosas Conferências sobre a Literatura do Século XIX (1871–1872), Brandes lançou as bases para uma nova crítica literária, defendendo que a literatura deveria “colocar problemas sob debate” (at sætte problemer under debat), ou seja, tratar de temas como liberdade, moralidade, desigualdade e religião com honestidade intelectual e coragem moral. Essa visão transformou o panorama cultural da Escandinávia, inspirando autores como Henrik Ibsen, August Strindberg e Bjørnstjerne Bjørnson.
Brandes foi também um cosmopolita convicto: viajou por toda a Europa, escreveu em diversas línguas e manteve correspondência com alguns dos maiores nomes da cultura de seu tempo. Seu estilo crítico combina erudição e clareza, sempre orientado por um ideal de emancipação intelectual e humanista